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Feira do Livro se consolida como o mais importante evento do segmento no Estado

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Em sua décima edição, a Feira do Livro está consolidada como o mais importante setor do segmento em Santa Catarina. A avaliação é de Sueli Brandão, criadora do evento e desde então sua organizadora, ao comentar os resultados alcançados e projetar a próxima edição.

Segundo a presidente do Instituto de Cultura, Educação, Esporte e Turismo, o objetivo alcançou todos os objetivos. “Mais do que um espaço de comercialização de livros, estamos felizes porque a feira se consagra a cada ano no seu papel de aproximar leitores e escritores para a construção da cidadania. Este tem sido nosso propósito desde o início, associando ao ato da leitura em si a perspectiva de estimular o pensamento crítico, considerando que cidadãos melhor preparados culturalmente e politicamente maduros podem compreender o mundo e promover as transformações sociais necessárias ao seu desenvolvimento”, afirma orgulhosa, Sueli.

Ela entende que esta condição assume importância quando se percebe que o Brasil vem demonstrando uma evolução lenta, embora persistente, de erradicação do analfabetismo – um problema ainda persistente no País que impede a plena inserção de milhares de pessoas à sociedade. Mudar este cenário, apresentado pelos baixos desempenhos relacionados à leitura e à escrita é desafio do Estado, mas também de educadores, de intelectuais e da família. São índices relacionados com problemas estruturais da escola desde o ensino fundamental ao ensino básico, passam pelas condições de trabalho e de capacitação de professores, da inexistência ou má situação de espaços como bibliotecas sem atualização de acervos, e da carência de bons mediadores de leitura com atuação junto às famílias e à comunidade em geral.

Acredita que o déficit brasileiro na área da leitura, acumulado desde os tempos coloniais, implica, para sua extinção num trabalho conjunto de todas as esferas que compõem a sociedade. Suas instituições mais diretamente envolvidas com a formação de leitores, como as escolas e as universidades, somadas aos núcleos familiares e comunitários, que podem dar o exemplo da importância da leitura. Também estão incluídos nessa responsabilidade os meios midiáticos de comunicação e difusão, bem como todo o circuito do livro (autores, editoras, ilustradores, divulgadores, críticos, livreiros). Grande também é a responsabilidade de empresários de todas as áreas de produção, não apenas os da área cultural, porque a leitura é fator decisivo para a capacitação de bons profissionais, dotados de conhecimento para fazer e idéias para criar e modificar para melhores produtos e serviços.

“É fato também de que há bons exemplos e iniciativas em diversas regiões, mas que necessitam ser estimuladas e apoiadas. Nossa produção editorial é qualificada e prêmios nacionais e internacionais valorizam nossos escritores e criadores. Algumas iniciativas dos governos municipais, estaduais e federal, em forma de leis, planos e subsídios têm criado um lastro para que a leitura, que leva diretamente à consciência e atuações de cidadania, cresça e se dissemine no País”.

Nesta perspectiva, aponta a idealizadora da Feira do Livro de Joinville, o projeto vem cumprindo seu papel e dando a oportunidade para que crianças, jovens e adultos tenham acesso ao objeto indispensável para o estado de serem leitores: textos nos mais diferentes gêneros, no incentivo inicial ou como leitores habituais. “Mais uma vez procuramos oferecer a possibilidade de, além de proporcionar o acesso aos livros, dar sua contribuição para que se aperfeiçoe a formação dos mediadores de leitura, contribua com educadores, professores e bibliotecários, pois sua atuação competente poderá melhorar a formação de leitores e abrir para eles as portas do conhecimento e da imaginação, para que, tornados leitores, possam usufruir da liberdade de pensamento, condição indispensável para a cidadania plena”.

Edição comemorativa

Conforme Sueli Brandão, os resultados da décima edição são positivos, com crescimento no número de visitação e de vendas de livros. A organização estima um público de 100 mil pessoas que circularam pelos 6 mil metros quadrados das áreas que formam o complexo do Centreventos Cau Hansen (Centro de Exposições Edmundo Doubrava, Centro de Convenções Alfredo Salfer e Teatro Juarez Machado). Em relação à área de comercialização de livros, a feira reuniu 40 expositores que colocaram à disposição do público 40 mil títulos de vários gêneros literários.

Os títulos mais procurados abordam temas das áreas técnicas (em 20012 os preferidos eram os de auto-ajuda) e entre os mais vendidos estão os livros voltados ao público infantil e infanto-juvenil. As vendas registraram crescimento médio de 50% em relação à nona edição. Além dos escritores do circuito nacional e internacional, convidados para palestras e lançamentos de livros, a feira oportunizou a escritores locais e regionais encontros com o público por meio do espaço “Fala do Escritor” organizado pela Confraria de Escritores, e o lançamento de mais de 20 títulos, com destaque para os autores de Joinville.

O sucesso faz Sueli Brandão recorda da primeira edição da Feira do Livro de Joinville, em 2003, ainda como mero espaço de venda de livros. No ano seguinte recebeu seu primeiro escritor convidado, Carlos Heitor Cony e, a partir daí outros nomes foram recepcionados para vir a Joinville. Além de Heitor Cony já passaram pela Feira do Livro nomes como Fernando Moraes, Moacyr Scliar, Martha Medeiros, Leonardo Boff, Ruy Castro, Aderbal Freire Filho, Affonso Romanno Santana, Marina Colasanti, Roseana Murray, Thalita Rebouças, Ignácio de Loyola Brandão, entre outros. Este ano a Feira do Livro homenageia o escritor Carlos Adauto Vieira como patrono da décima edição, mas em anos anteriores prestou a homenagem a personalidades de Joinville por sua contribuição ao desenvolvimento da literatura. Aspecto interessante deste período da existência da Feira do Livro é o estímulo que o evento proporcionou ao segmento. Quando da sua primeira edição Joinville conta com uma biblioteca estruturada, 2 livrarias e 1 sebo – passados dez anos a cidade conta com inúmeras bibliotecas distribuídas por escolas em bairros, mais de uma dezena de livrarias e 4 sebos. Também serviu como motivação para a organização de escritores, viu surgir na cidade iniciativas como a Confraria de Escritores – projeto que reúne escritores experientes e novos escritores, fomentando o surgimento de novas produções literárias – e viu aflorarem políticas públicas que apoiam a produção como o SIMDEC – Sistema Municipal de Incentivo à Cultura, responsável por viabilizar novos trabalhos literários.

“Estamos em festa com esta edição, que foi um momento de celebração, mas já estamos pensando na edição 2014, que trará novidades como a maior tematização de títulos e destaque para a Copa do Mundo que será realizada no Brasil. O público irá se surpreender”, completa Sueli Brandão, prometendo dar mais detalhes nos próximos meses.

 

 

Instituto da Cultura, Educação, Esporte e Turismo

Feira do Livro de Joinville

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